quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Escrever era um grande prazer. É ainda.

Por aqui as coisas configuram-se da seguinte maneira: turbilhão de emoções antagônicas que refletem num corpo constantemente doente.
O que me deixa doente são essas emoções, que por sua vez são produzidas pelo próprio corpo.
Os sintomas são: dores de cabeça, em difeentes momentos do dia, sempre na esquerda alta da cabeça; enjôos constates, na maior parte das vezes durante a noite (e não, não é gravidez).
Os exames não apontam para nenhum tipo de irregularidade.
Os psicosintomas são: dores fortes lá dentro do peito, vontades de chorar em momentos absolutamente aleatórios.

É impressionante como essas emoções são capazes me deixar embebida neles, mergulho tão fundo que quase não consigo voltar à superfície. Mas volto, sempre volto. E tento me deixar levar por outras correntezas. Mas quando dou por mim, são as mesmas correntezas de sempre.

Se os exames não apontam para nada, então eu vou apontar.



4 comentários:

c. disse...

e faz do corpo-palavra espelho d'alma. daqueles que refletem memória inventada, insegura e constantemente transmutada em som no vácuo. escreve, duda, sua partitura de dor pra que se faça concreto aquilo que antes era grito abafado. escreve, duda, para que se preencha de vazios seu infinito de desafetos. escreve, duda, para cravar na pele sua vontade de fumaça. sua vontade de nuvem. sua vontade de simplificar intimamente a falta de ar, através de imagens dos internos mundos que todos seus meus são tanto nossos que o você eu de nós duas faça da sua coleção abstrata de registro um traço de qualquer coisa que nos dê sentido.

ernesto disse...

e eis que de repente acho esse blog no histórico da internet daqui! quanto tempo, hein?

=]

Juliana Amado disse...

Muito bom vê-la voltar a escrever! Escreva, escreva. Palavras vomitadas são como lágrimas: levam embora a dor do peito, as dores de cabeça, o emocional alterado. E de quebra, dá aos leitores o prazer da boa literatura!

Bruno Costa disse...

Tem horas em que temos que inventar a cura, pq as doenças já caminham sozinhas. O corpo e a alma são a mesma coisa, e isso não é pouco.
Gostei do texto.