quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Adeus ano velho


Mais uma vez deparo-me com esta situação: de um dia para o outro, avança-se um ano. Volto ao passado, há exatamente um ano atrás e, vejo como muita coisa mudou em mim, como, ao contrário deste ano, torcia para que aquele ano acabesse de uma vez, numa forma de enterrar os problemas sem resolve-los, como se um dia realmente fizesse diferença. Hoje sei que a noite do dia 31 de Dezembro não passa de uma máscara, cobrindo tudo aquilo que não foi possível resolver naquele ano, por isso o reveillon não é uma festa para comemorar o ano que vai entrar, é para mascarar o ano que passou, de modo que as pessoas entrem no ano seguinte com a ilusão de que todos os problemas do ano anterior acabaram junto com ele e, assim acumula-se problemas, pobreza, desigualdade; tudo isso acontece subliminarmente, sem que ninguém perceba, somos vítimas e cúmplices desta violência que se repete todos os anos, que se acumula todos anos e, nunca se resolve. Mas essa violência envolve seres humanos, envolve a maior parte da população braileira e, tantas pessoas não podem ser escondidas como poeira jogada debaixo do tapete, essas pessoas não comemoram o reveillon, estas pessoas estão nas festas sim, são elas que catam as latinhas jogadas na areia, são elas que dormem onde nós pisamos e, é por elas que nós devíamos desejar na beira do mar, é para elas que deveríamos estourar o champagne e dar as uvas, as oferendas, para que uma vez por ano, elas se sintam um pouco mais próximas, um pouco mais humanas, um pouco menos lixo.

1 comentários:

Brenno disse...

concordo em genero, numero, e grau




tem que postar mais!
=D