quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Escrever era um grande prazer. É ainda.

Por aqui as coisas configuram-se da seguinte maneira: turbilhão de emoções antagônicas que refletem num corpo constantemente doente.
O que me deixa doente são essas emoções, que por sua vez são produzidas pelo próprio corpo.
Os sintomas são: dores de cabeça, em difeentes momentos do dia, sempre na esquerda alta da cabeça; enjôos constates, na maior parte das vezes durante a noite (e não, não é gravidez).
Os exames não apontam para nenhum tipo de irregularidade.
Os psicosintomas são: dores fortes lá dentro do peito, vontades de chorar em momentos absolutamente aleatórios.

É impressionante como essas emoções são capazes me deixar embebida neles, mergulho tão fundo que quase não consigo voltar à superfície. Mas volto, sempre volto. E tento me deixar levar por outras correntezas. Mas quando dou por mim, são as mesmas correntezas de sempre.

Se os exames não apontam para nada, então eu vou apontar.



terça-feira, 21 de julho de 2009

terça-feira, 14 de julho de 2009

Belo Caminho de Volta

"Todas as pessoas - ele pensa olhando o mar no belo caminho de volta, a criança no colo - estão no limite, permanentemente no limite de si mesmas; e no entanto do outro lado está apenas o tempo. Um passo em frente é o tempo que leva" O Filho Eterno, Cristóvão Tezza.

A desculpa mais recorrente era a tal falta de inspiração, mas ela sabe que o que a faz parar de escrever é a maldita preguiça, abandona textos pela metade, sem jamais voltar a tocá-los. Novas leituras deixam-na motivada, mas não o bastante para fazê-la pegar novamente o lápis. O que a fez escrever o primeiro conto? Uma história interessante: lá no seu primeiro grau da escola os pais receberam uma circular informando que estaria disponibilizando aulas de redação para os alunos, posteriormente, indicados. O pai, sem entender que era um informe, e não um indicação, diz à ela que foi indicada, e isso causou uma profunda irritação, já que escrever sempre foi algo tão prazeroso e nunca apresentou-lhe grandes dificuldades. Pois bem, para mostrar que ela não precisava de aulas de redação coisíssima nenhuma, escreveu seu primeiro conto sobre uma moça que viu e ganhou espaço em sua ficção (afinal, sobre o que os autores ecsrevem senão sobre eles mesmos?). O conto foi muito elogiado e, depois desse vieram muitos outros, sequências de histórias que se relacionavam com aquela primeira. Descobriu aí um caminho a seguir, mas apareceram nele responsabilidades que não esperava encontrar.

Ouvia sempre daquele que a apoiava "escrever é um exercício diário", e o tempo ia passando, a escrita foi sendo, discretamente, deixada de lado, até tornar-se cada vez mais difícil. Falta inspiração, falta fôlego; faltava um pouco mais de coragem para admitir a desistência, e isso pesava. Toda vez que lembrava da inércia à qual ela mesma havia se submetido, sentia-se uma merda.

Fez um blog, pensou que seria um grande estímulo corresponder-se com outros jovens escritores, publicou contos que já existiam, outras breves linhas de pensamento, mas não demorou muito para abandoná-lo.

Mas algo faria com que ela voltasse a escrever: no aniversário daquele ano resolveu renovar sua estante com escritores mais contemporâneos como Bernardo Carvalho, Tatiana Salem Levy e Cristóvão Tezza. Começou pelo último, O Filho Eterno de Cristóvão Tezza, leu as primeiras 30 páginas e parou. A narrativa exige um descanso, a relação que o personagem estabelece com a própria vida não era assim tão leve, ao mesmo tempo que sentia a necessidade de parar de ler, não podia fechar o livro.

A mãe trabalhava numa rádio, e foi enviada a Festa Literária Internacional de Paraty, onde o autor estaria, para cobrir o evento. A entrevista que fez com ele a fez pensar sobre voltar a escrever, exercitar até que vire fácil outra vez. Quando a mãe voltou trouxe algo que jamais esqueceria: estendeu as mãos com seu livro sobre elas, ela pegou e abriu pois sabia que teria algo novo dentro dele, estava escrito "à escritora ..., vai essa longa história de um escritor, um grande beijo do Cristóvão Tezza. Paraty. 2/julho/09". Ela voltou a escrever, e agradece.

domingo, 8 de março de 2009

Enfrentar medos para salvar amizades

Não tenho o hábito de me acostumar com amizades perdidas.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Adeus ano velho


Mais uma vez deparo-me com esta situação: de um dia para o outro, avança-se um ano. Volto ao passado, há exatamente um ano atrás e, vejo como muita coisa mudou em mim, como, ao contrário deste ano, torcia para que aquele ano acabesse de uma vez, numa forma de enterrar os problemas sem resolve-los, como se um dia realmente fizesse diferença. Hoje sei que a noite do dia 31 de Dezembro não passa de uma máscara, cobrindo tudo aquilo que não foi possível resolver naquele ano, por isso o reveillon não é uma festa para comemorar o ano que vai entrar, é para mascarar o ano que passou, de modo que as pessoas entrem no ano seguinte com a ilusão de que todos os problemas do ano anterior acabaram junto com ele e, assim acumula-se problemas, pobreza, desigualdade; tudo isso acontece subliminarmente, sem que ninguém perceba, somos vítimas e cúmplices desta violência que se repete todos os anos, que se acumula todos anos e, nunca se resolve. Mas essa violência envolve seres humanos, envolve a maior parte da população braileira e, tantas pessoas não podem ser escondidas como poeira jogada debaixo do tapete, essas pessoas não comemoram o reveillon, estas pessoas estão nas festas sim, são elas que catam as latinhas jogadas na areia, são elas que dormem onde nós pisamos e, é por elas que nós devíamos desejar na beira do mar, é para elas que deveríamos estourar o champagne e dar as uvas, as oferendas, para que uma vez por ano, elas se sintam um pouco mais próximas, um pouco mais humanas, um pouco menos lixo.

domingo, 16 de novembro de 2008

Confesso

Confesso: não sei ecsrever sobre mim. Escrevo sobre ela.
Ela: tudo sobre mim, que não sou eu, é ela. Dispensa nome, idade, endereço. Ela é o suficiente, por mais ambígüo que possa parecer. Ela está com medo, a responsabilidade a assusta, logo ela, que se diz tão corajosa quando se trata de terrorismo poético, no primeiro conflito familiar fica com medo. Ela sabe que aqui em casa é tudo uma questão de diálogo, nada se esconde, tudo se revela. Então é isso, basta que ela mantenha o diálogo e desfaça a (com o perdão da palavra) merda que fez. Combinado então.







Ela continua escrevendo. Ora, escreva algo que preste!

domingo, 21 de setembro de 2008

É blog, é?

Não, não é blog, é literatura, porra.

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Marcus Nemesius

"Ela era bela e era boa.
Ela era doce e era triste.
E morreram da mesma dor.

Perdoai-os,
Perdoai-os,

Perdoai-os Senhor!"

Canção dos Amantes Mortos, Pablo Neruda.


Chego em casa, segunda-feira. Visto vários agasalhos, semana de frio no Rio de Janeiro. Mamãe dorme a sagrada cesta, diz que é para manter-se conservada, tem horror à velhice. Brigou com Rui ontem, briga séria, ouvia-se os gritos da rua, fui embora. Sempre acontece, ele já mudou e voltou umas cinco vezes e, ela sempre o aceita de volta, de pernas abertas e comida na mesa. Perceba que a crueldade não é minha, conto a história de acordo com os fatos, essa é a nossa vida, e é assim que ela acontece. Um ciclo vicioso de desgaste físico e mental. Às vezes penso, como seria se papai continuasse conosco? Pior, certamente, o filho-da-puta fez de tudo para que ela perdesse o bebê quando estava grávida de mim, até espancá-la, mas eu tinha que nascer, viriam (e vieram) outros filhos-da-puta para sugar todas as qualidades que ela poderia ter e, partir. Hoje ela não trabalha, todos os projetos que pensou para o futuro foram roubados pelos homens que passaram por ela, quando os conhecia eram pessoas perdidas sem saber o que fazer da vida; quando partiam, eram pessoas bem-resolvidas com um futuro promissor. E ela? Lamentava-se, mas que tonta! Não havia tarja preta que trouxesse de volta o meu futuro.

Mamãe tem o exercício diário de perdir perdão todas as manhãs, desde que eu nasci, ela me pede perdão por ter deixado tudo acontecer dessa maneira. Não peça perdão, mãe, não vou te abandonar. À essa altura, já não importa mais se Rui vai deixá-la na merda como todos os outros ou não, seu maior medo é que eu a deixe, isto ela evita até em pensamento; resta saber quanto tempo mais vou aguentar ficar aqui, ontem foi a primeira vez que saí no meio de uma briga, fui emmbora e só voltei hoje, ela deve ter ficado assustada, mas eu voltei, mãe, estou aqui. Vou até seu quarto, continua dormindo, beijo sua testa rígida, pego suas mãos geladas, troco suas roupas sujas, cubro seu corpo e, espero Rui chegar, ele saberá o que fazer.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Desabafo/Fluxo de pensamento

A mente humana é muito poderosa, íncrivel como é possível manipular os próprios sentimentos, a nossa própria realidade de vida e, só mesmo um soco na cara para despertar da própria loucura. Loucura esta que não exste, é apenas mais uma das defesas da mente, algo totalmente equivocado e egocêntrico que nos faz fugir dos problemas (que muitas vezes nem podem ser chamados de problemas) e reverter a situação de modo que nós viremos a vítima e, aquilo nos atinge de alguma forma, vire o vilão de uma novela criada por nós mesmos. Encaro como um sinal de covardia, como podemos ser covardes em muitas situações, injustos!
E agora? Não fui eu, foi a minha consciência? As pessoas devem achcar que sou louca. Talvez essa seja a intenção, pobrezinha doidinha, olha só.
Entender a manipulação da nossa mente é um passo significativo, próximo passo: contornar a situação, despertar!

Desfio: decifrar-me.

Hoje pensei que vou morrer, quer dizer, todo mundo vai morrer! Não é louco pensar isso? Eu sei que vou morrer mas não sei qundo, pode ser hoje, amanhã ou daqui a vinte anos. Como vivo tão intensamente, como tantas coisas acontecem ou deixam de acontecer pra um dia acabar assim?
Sinto um medo, um medo enorme ,mas, ao mesmo tempo, sinto uma vontade de viver, de fazer tudo, de salvar o mundo! Coisa mais infantil, achar que posso salvar o mundo. Tem tanta coisa pra ser feita, todo mundo deve pensar nisso. O mundo tá muito louco, não dá mais pra viver assim; tecnologias de ponta de um lado, gente sem luz em casa do outro. Não podemos perder o olhar crítico. tá tudo errado.
Quando eu morrer, vou levar comigo a aspiração...

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Abro-me

Não existe mais vítima. Não existem mais vilões. Já passou da hora de responsabilizar-me pelos meus atos. Posso até desabar em lágrimas, mas não existe mais (falsa) doença que me impessa de agir, de pensar ou escrever. A sensação é de quem renacse das cinzas; morri por dentro, causei minha própria morte, mas ressucito. Sou outra, a mesma; sou fênix.